Déraciné – Uma declaração de amor

Por

14 de nov de 2018 ás 11h00

nota

8

/ 10

Muito antes da FromSoftware fazer sucesso com sua fantástica série Souls, criando um novo estilo de jogo, já tinha um grande corpo de trabalho ligado ao seu nome que remonta de décadas. Mas depois de encontrar o sucesso com jogos como Bloodborne, seu mais novo título: Déraciné oferece um vislumbre do passado.

Déraciné é antes de mais nada um simulador de caminhada – e sim, podemos ver alguns de vocês revirando os olhos, mas vem com a gente, já que este é um jogo dos bons. Você joga como uma fada, uma espécie de espírito etéreo que veio visitar uma escola congelada no tempo – exceto quando você interage de maneiras específicas – situada em uma floresta decididamente européia.

Para começar, enquanto não há combate, os apelas de um título da FromSoftware são instantaneamente reconhecíveis: uma melancolia intrigante, influências vitorianas e góticas, e um senso de medo difícil de localizar, mas sempre presente, na próxima esquina. Usando habilidades que você desbloqueia ao longo do caminho, a história gira em torno desta instituição, você deve progredir fazendo amizades e tentando ajudar as crianças que chamam esse lugar de lar.

Como o título é um simulador de caminhada, é essencial que o elenco em exibição seja bom e, felizmente, esse é o caso. O trabalho de voz de qualidade empresta sinceridade a todos os personagens, à medida que você interage indiretamente e até mesmo se beneficia dos pensamentos mais íntimos deles. O sentimento de camaradagem e afeto genuíno que você constrói com um punhado de crianças – assim como o diretor que as supervisiona – ajuda a tornar a história impactante e envolvente. Embora a história não seja necessariamente direta – afinal, esse é um título da FromSoftware – as pistas estão lá, se você for fundo o suficiente para descobrir a todas. Francamente, o elenco é charmoso o suficiente para que você se envolva com eles e veja como eles reagem uns aos outros – essa é uma das melhores experiências narrativas da plataforma VR até o momento.

O jogo também escolheu um momento perfeito para ser lançado. Isso realmente ajuda a dar à escola um ar próprio, que é definitivamente auxiliado pela apresentação. O jogo é visualmente divino, e este é um dos ambientes mais convincentes que já vimos na realidade virtual: texturas são nítidas, os ambientes parecem apropriadamente grandes – há uma catedral que é particularmente deslumbrante – e tudo parece ter sido implementado com amor. A navegação ajuda nisso, pois usa teletransporte ao longo de trajetórias definidas, o que permitiu ao desenvolvedor focar nos detalhes próximos a você em qualquer ponto.

Mais importante, a narrativa tem algumas voltas e reviravoltas que surgem ao longo das cinco ou mais horas do título. Isto é em grande parte onde os elementos mais escuros do jogo dão o ar da graça, e também pode ser por isso que muitos estão especulando sobre o título estar insinuando discretamente que haverá uma continuação para o querido Bloodborne do PS4. Embora pareça mais provável que seja uma coleção de Easter Eggs homenageando um título muito amado, é improvável, mas não impossível, que exista realmente algo mais profundo a respeito de Bloodborne a ser mostrado no jogo.

Muito parecido com Bloodborne – e todos os títulos Souls realmente – a música em Déraciné é magnífica, com um destaque particular sendo um recital, que por razões que não conseguimos entender nos encheu de uma felicidade tão melancólica que chegou a nos chocar. Foi um momento verdadeiramente agradável em uma experiência já prazerosa.

Conclusão

Quem ou o que foi arrancado (Déraciné – Arrancado pela raiz) pode não ser claro, mas não deixe que isso o impeça de passar por esse maravilhoso título. Um elenco encantador de personagens combina com um ambiente incrível para explorar, enquanto a trilha sonora estimulante ajuda a elevar um título que já é bom. Acrescente a grande narrativa, uma raridade em VR neste momento, e você terá um dos melhores títulos disponíveis até o momento para o equipamento da Sony.

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