Marvel Defenders (Os Defensores) – Análise – Primeira Temporada.

Por

21 de ago de 2017 ás 06h12

nota

5

/ 10

 

————————————————–!!!CONTÉM SPOILERS!!!—————————————————-

Os Defensores, série que reúne os heróis Demolidor (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter)Luke Cage (Mike Colter) e Punho de Ferro (Finn Jones) — estreou em 18/08 último, terminando assim com a espera cheia de expectativas de ver esses quatro heróis reunidos.

Esta expectativa vinha acompanhada, devido às últimas sérias da NETFLIX dentro do universo MARVEL (Mais especificamente por conta de Luke Cage e Iron Fist), de um certo receio acerca da história, das cenas de combate, da coreografia, do enredo e, ainda mais, do que faria com que esses 4 heróis trabalhassem juntos.

Talvez esse fosse o maior medo dos fãs, o de o roteiro da série não conseguir fazer os quatro heróis funcionarem como uma equipe. A premissa que os une é pobre e um pouco forçada, meio que empurrada goela abaixo. A química entre os personagens funciona, principalmente quando são divididos em duplas, com destaque aos ótimos diálogos, com alguns alívios cômicos, entre a dupla dupla Jessica/ Matt.

Os demais personagens das 4 séries, Claire Temple (Rosario Dawson), Colleen Wing (Jessica Henwick), Misty Knight (Simone Missick), Trish Walker (Rachael Taylor), Karen Page (Deborah Ann Woll), Foggy Nelson (Elden Henson)Malcolm Ducasse(Eka Darville) Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), se reúnem também em Defensores, e todos possuem seus momentos de destaque.

A série traz a cidade de Nova York como o quinto personagem, a “donzela” indefesa que guarda segredos milenares em seu porão. A própria abertura da série com o rosto de cada defensor desenhado entre ruas e prédios deixa bem claro que estamos lidando com uma série que coloca a proteção da cidade e sua existência como algo fundamental para a compreensão da história.

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A trama da série segue após os eventos vistos em Punho de Ferro e a segunda temporada de Demolidor, onde fica bem claro que o Tentáculo não é apenas uma organização criminosa comum e que eles são um perigo para Nova York e para o mundo e querem usar o poder do Punho de Ferro. Para que fins, ficamos sabendo no decorrer dos oitos episódios. Nos é apresentado, então, Alexandra Reid (Sigourney Weaver), a cabeça da organização, e a responsável pela ressureição de Elektra Natchios (Elodie Yung), que agora é assassina do Tentáculo, e responde pela alcunha de Black Sky.

O união entre os heróis acontece gradualmente, como se esperaria que fosse. Cada qual tem seu motivo para lutar e para resistir à incomum parceria. Alguns motivos ficam claros ali, outros, são deixam o telespectador perdido e torna quase que obrigatório que as outras 4 séries sejam assistidas.

A série em si começa como um “resumão” de tudo o que aconteceu nas 4 séries individuais anteriores, tentando situar o telespectador. Na verdade, a série começa e termina da mesma forma: Como uma grande salada, confusa e sem muitas explicações.

A iteração entre os personagens ainda não existe, e não é criada. Cada um deles segue seu próprio caminho e as decisões costumam ser individuais. Se em Vingadores tivemos o martelo do Thor e o escudo do Capitão América criando algo exclusivo entre eles, em Defensores tudo soou muito individualista. Mesmo o sacrifício de Matt foi algo somente dele, unilateral, o que o isolou dos outros heróis e de seus amigos.

A fórmula também não é nova. A “jornada do herói” é sempre amplamente explorada nas séries MARVEL/ NETFLIX, de uma forma até cansativa. Tudo para culminar na típica “luta de corredor” com todos juntos (essa cena tá bem bacana, fotografia e coreografia boas, mas ainda assim, pecam se compararmos com a S1 de Demorlidor).

Outra coisa bem presente é o Fan-Service, mas para quem não é fã (e no Brasil poucos tiveram acesso às antigas histórias dos 4 personagens) a coisa passa meio que batido. Quando há a separação dos personagens em duplas, e temos a iteração entre Luke Cage e Danny Rand (um Danny Rand chato, inconstante, mimado, repetitivo e sem sentido), temos uma referência a dupla Heroes for Hire, a qual ambos formavam nos quadrinhos.

É nesse ponto, que devemos destacar o desenvolvimento de Danny Rand como personagem em Os Defensores. Quem assistiu Punho de Ferro, sabe que a série sofre de problemas seríssimos no roteiro, e principalmente no desenvolvimento de seus personagens, culminando em um Danny Rand  raso e visto apenas como um “garoto mimado que fica gritando aos quatro cantos que é o Punho de Ferro”. Em Defensores, Danny vai deixando, aos poucos de ser um garoto mimado com poderes. Ainda não é o Punho de Ferro, mas está caminhando para ser. Ainda há esperança para o personagem, que chega em breve com uma segunda temporada, e ainda bem, com um novo showrunner (Não muito animador, na verdade, uma vez que será Raven Metzner, roteirista de Elektra (2004), e integrante das equipes de Sleepy Hollow e Falling Skies).

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Danny Rand termina a série com uma missão, algo que finalmente o insere como um personagem melhor trabalhado e não apenas uma criança mimada querendo se auto afirmar. Danny terminou ali, no teto de Nova York, com suas cores tradicionais e com a promessa de ser o Defensor que o Demolidor havia sido antes de sua aparente morte. Neste ponto a série acerta em cheio, porque é necessário gostar do Danny, devemos torcer pelo Punho de Ferro.

Temos, também, o retorno da Elektra. Não mais uma lutadora, mas sim uma assassina letal, fria e calculista, a vilã e anti-heroína criada por Frank Miller.

Algumas coisas são jogadas ao telespectador sem muita definição. A exemplo do Black Sky e como funciona. A trama inteira roda em torno de uma coisa que deveria ser apenas misteriosa, mas virou uma confusão sem igual.

Outra coisa que incomoda é o desenvolvimento do Tentáculo (The Hand). Nos primeiros episódios, a personagem interpretada brilhantemente por Sigourney Weaver, realmente parece uma ameaça a se temer, ao mesmo tempo que demonstra uma certa vulnerabilidade. Uma vulnerabilidade que vemos também nos outros membros do Tentáculo, e é aí que reside o problema. Apesar da trama esbravejar o tempo todo que o Tentáculo é uma grande ameaça, aos poucos acaba parecendo ser um discurso vazio. O que fica ainda mais claro quando a Elektra assassina a Alexandra e toma o controle da organização.

Mesmo que a intenção da série fosse mostrar alguma fragilidade da organização criminosa, eles ainda precisavam se apresentar como uma grande ameaça, senão a série perderia o vilão, e o foco. E o fez.

Por outro lado gostei bastante de ter os coadjuvantes de cada série interagindo. Ver como cada um daqueles personagens respondia a realidade do outro teve um valor muito grande.

E no meio desta bagunça toda, temos vários outros sacrifícios feitos em prol do bem maior, como de Matt, já dito acima.

Foi interessante ter Colleen, Misty e Claire se unindo, uma vez que Misty e Claire são parceiras em “Filhas do Dragão“, mas a perda do braço de Misty, que deveria ser um momento chocante e deveria remeter à revista (mais um Fan-Service), termina bem anticlimático, já que para quem não assistiu Luke Cage, a cena não teve o impacto necessário.

No geral, Defensores peca muito e erra muito. A série teve um trabalho enorme corrigindo uma season inteira de Punho de Ferro e trabalhando um personagem junto de tantos outros, em apenas 8 episódios, para trazê-lo mais maduro para uma S2 de sua série individual. Também temos a premissa para a S3 de Daredevil, como a S2 deste personagem nos prepara para a S1 de Punisher. Devo destacar também a paleta de cores da série, que faz uma homenagem belíssima as cores dos quatro heróis (Vermelho para o Demolidor, Verde para o Punho de Ferro, Amarelo para o Luke Cage e Azul para a Jessica Jones).

Por fim, Defensores diverte, mas não faz falta. Não deixa um gosto de “quero mais” e nem um hype para uma possível S2. Esperávamos mais.

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Algumas curiosidades da série:

  • Misty Knight perdeu o braço em uma cena relativamente similar a das histórias em quadrinhos. Se nas páginas ela teve o braço decepado ao segurar uma bomba, aqui ela o teve cortado enquanto Claire ativava uma. Nas HQs ela depois ganhou um braço biônico, cortesia das industrias Stark. Aqui seria uma perfeita desculpa para finalmente unir Agents of SHIELD ao universo da Marvel/Netflix.
  • Matt termina a série na cama, enquanto uma freira chama por outra de nome Maggie. Esta cena é a recriação do painel de “Born Again/A Queda de Murdock” e a freira em questão é Maggie Murdock, mãe de Matt.
  • No cartão da Misty no hospital é possível ver o nome L. Carter, que é o nome da Night Nurse original.
  • Os médicos Dr. Tony Isabella e Dr. Arvell Jones são os criadores da personagem nos quadrinhos.
  • A roupa que o Danny usa no final também se parece muito com o uniforme que o Punho de Ferro adotou mais recentemente, como se fosse um grande macacão de ginástica verde com listras amarelas.

 

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