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Hellblade: Senua’s Sacrifice – Análise – Muito Mais Que um Game!

Por

06 de set de 2017 ás 08h06

nota

9

/ 10

Hellblade: Senua’s Sacrifice não é o maior jogo da Ninja Theory (produtora também de Kung Fu Chaos, Heavenly Sword, Enslaved: Odissey to the Wes e DmC: Devil May Cry) mas pode ser o melhor deles.

Durante anos o estúdio sofreu com títulos ambiciosos, atraindo Andy Serkis, Alex Garland e Nitin Sawhney a produzir jogos de ação cinematográfica e que pareciam obras de arte.

Mais focado e conciso, Hellblade trabalha em uma escala menor e mais íntima, mas combina visuais, áudio e jogabilidade soberbos em uma experiência poderosa e coerente. Hellblade é uma experiência quase perfeita.

São mitos – Uma mistura nórdica e celta inserida na lenda do herói – e um estudo de caráter psicológico, seguindo a aventura de uma jovem guerreira: Senua, para entrar no inferno e recuperar a alma de um ente querido. De seu amado marido.

Dizer que Senua possui seus próprios demônios é pegar leve demais. É falar pouco. Ela ouve vozes, tem visões e sofre crises psicóticas. Tudo manipulado de forma sensível e muito inteligente pela equipe da Ninja Theory, a qual, para conseguir trazer realismo aos problemas psicológicos de Senua, e de modo a imergir o jogador neles, aconselhou-se com o Professor de Saúde Neurociências da Universidade de Cambridge, Paul Fletcher e com uma associação americana especialista em distúrbios mentais, a Wellcome Trust.

O jogo não se afasta da doença de Senua nem possui pudores ou vergonha ao retratá-lo, mantendo estes distúrbios como pilar principal da epopéia. Enquanto você joga, você ouvirá as vozes que Senua ouve, comentando, avisando, entrando em pânico, aconselhando, tudo de forma constante, tudo ao mesmo tempo.

A perspectiva, a distorção, os sentidos aumentados, o medo e as formas de ver as coisas como Senua, são perte integrante e importante do que você precisa fazer. E enquanto a missão de Senua é, em um nível, uma jornada física através de provações, perigos, inimigos temíveis e ideais aterrorizantes, também é, em outro nível uma jornada interior. Só lutando contra seus demônios e confiando em si mesma e, em outros, Senua poderá sobreviver.

Em termos de design visual e de áudio, é um esforço incrível. Há algo de The Revenant no estilo de Hellblade, a câmera assombrando Senua de uma perspectiva próxima, mas em terceira pessoa, os sons que ela está ouvindo, o artificio do botão de foco, para proporcionar ao jogador um ponto de vista mais próximo do de Senua. Isso tudo torna a experiência incrivelmente visceral e quase insuportável às vezes.

O mundo mítico de Senua é um dos mais fortes e pesados que vimos nesta geração, forjando paisagens assustadoras a partir de um coquetel de lenda nórdica, fantasia dark e horror, com paisagens que podem mudar instantaneamente de sombrio e enevoado para um campo florido com sol brilhante. Os gráficos em 1080p no PS4, são incríveis. No PS4 Pro, em 4K com HDR, é nada menos que surpreendente.

 

Toda essa arte audiovisual está ancorada por uma série de performances fortes, a maioria dos trabalhos de voz é ótima e a sua sincronização com o vídeo é bem tratado. E tudo melhor ainda mais com a performance de Melina Juergen, a atriz que representou Senua para os movimentos de Motion Capture.

A preocupação no início era de que as conquistas artísticas do jogo nem sempre são compatíveis com a jogabilidade. É realmente uma experiência desclumbrante de se ver, ouvir e sentir. Chega a, realmente, nos incomodar e deixar inquietos, como é a proposta do jogo. Mas não é tão envolvente quando a matéria é o gameplay em sí. De começo, há uma luta contra alguns guerreiros assustadores, todos com máscaras (vale ressaltar que todos os inimigos de Hellbalde, salvo pela antagonista principal, não possuem rostos definidos), e um bloco simples de comando que consiste em bloquear, atacar, counterar e esquivar. Há também alguns puzzles bem simples apresentados de começo,  além de alguns enigmas bastante básicos que envolvem tentar encontrar as formas das runas nos arredores de Senua, geralmente para abrir uma porta. Preocupa o fato de que Hellblade poderia ser um simulador ambulante com enigmas fracos e rajadas repentinas de ultraviolência.

Dado o tempo, porém, Hellblade começa a se encaixar. As tentativas de Senua de rastrear um deus traidor trazem enigmas inteligentes de perspectivas e rotas escondidas. Alguns testes irão privar você de luz e visão, outros, lhe darão a perspectiva entre um mundo em ruinas ou não, apenas por olhar através de um portal. Existem seções que reproduzem seus medos, seções que se confundem com seu ponto de vista e seções que testarão sua velocidade, tempo de reação e coragem.  Mais de uma vez, o áudio é trazido para o primeiro plano como uma maneira de testar mais do que apenas seus reflexos. Fica cada vez mais claro que cada elemento parece ser mais do que apenas uma outra ideia legal ou mecânica de jogo, mas sim uma maneira de explorar quem é Senua e por que ela sofre.

O combate, também, continua melhorando. Não há tutoriais. O jogador tem que descobrir de seu modo como encadear combos, esquivas e bloqueios. Como contra atacar e qual a melhor hora pra isso. Como reagir a vários inimigos e a ataques de fora de seu campo de visão. Mas quando tudo se encaixa, aproveita-se melhor o feroz fluxo da batalha.

Como com tudo em Hellblade, pode ser tão tenso quanto bastante estressante, mas nunca ultrapassa a marca e se torna frustrante. Novos tipos de inimigos – todos inteligentemente identificáveis ​​- começam a aparecer com novas armas e padrões de ataque. Você vai de lutar contra um ou dois caras de cada vez para combater grupos diferentes em configurações diferentes e ter que trabalhar em seu posicionamento, tempo e controle de multidão. Basicamente, você precisa que Senua se torne a guerreira mais badass possível, mesmo se somente por sua sobrevivência, e, ao mesmo tempo, ela nunca deixa de parecer uma figura muito humana e vulnerável, mesmo quando ela trucida os inimigos.

Curiosamente, o jogo apresenta, de começo uma situação de permadeath. Não passei por esta situação, mas confesso que esse medo tornou a ação ainda mais excitante, embora eu tenha certeza de que eu não teria ficado muito alegre se eu tivesse que voltar a fazer tudo no game após seis ou sete horas de jogo.

Vamos terminar com uma advertência. Como acontece com qualquer jogo onde a história e o personagem são tão importantes, as experiências serão diferentes. Você pode não se conectar tão profundamente a Senua quanto eu, pode ter outra opinião do jogo, pode não ser tão tocado pela história e você pode não achar o jogo tão absorvente e poderoso quanto eu. Para mim, no entanto, há algo sobre o compromisso de Hellblade com seu caráter e com uma visão que o distingue. Assombroso, rico, estranho e lindo, é um jogo de ação diferente de tudo o que você já jogou antes.

 

Veredito

Hellblade triunfa igualmente como jogo de ação, ação mítica e estudo de caráter psicológico, reunindo alguns visuais surpreendentes, ótimos desempenhos gráficos e sonoros e um design engenhoso. É de curta duração, mas perfeitamente estimulado com uma mistura de ação e quebra-cabeças que cresce em riqueza e complexidade à medida que o jogo continua. Embora alguns possam preferir Enslaved ou o Reboot de DMC, eu acho que Hellblade: Senua’s Sacrifice é o melhor trabalho apresentado pela Ninja Theory.

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