Nintendo LABO: A nova prova que a indústria precisa da Nintendo

Por

29 de jan de 2018 ás 02h13

Olá, amigos exploradores! Após o último Direct da Nintendo, conhecemos a nova investida da empresa, o Nintendo LABO. Algo tão simples quanto genial que nos faz pensar: Como isso não foi pensado antes?

Kits pré fabricados de papelão se integram ao Nintendo Switch

Para quem ainda não está a par, o Nintendo LABO é um conjunto de projetos em papelão (isso mesmo PAPELÃO) que se integra com o Nintendo Switch para proporcionar, da forma mais simples que poderia ser, um novo grau de experiência e interatividade.

Novas interações já foram mostradas. Quais são os limites para a criatividade?

Já há diversas coberturas sobre o LABO na internet, então o foco aqui é outro, conforme o título da matéria… é debatermos porque a indústria precisa da Nintendo, porque a Nintendo nunca pode “morrer”.

Bom começando pelo LABO, não é algo inédito, podemos observar o exemplo do Google CARDBOARD, que permite a qualquer um fazer seu próprio óculos VR para seu celular com papelão e um par de lentes corretas e até podemos observar e encontrar, de forma relativamente fácil, brinquedos de papelão em projetos pré prontos para montar. Mas ver esse tipo de coisa integrada à indústria de videogames parecia tão improvável que provavelmente não encontraremos uma criatura na nossa vida que diga que tinha pensado nisso.

Google cardboard é um óculos de realidade virtual de papelão que você pode fazer em casa.

Num momento de consoles Mid-Gen preenchendo as lacunas da corrida tecnológica e de performance, tantos debates sobre resoluções e framerates, parece mesmo que tanto os jogadores quanto os produtores deixaram de lado a questão primordial de um jogo eletrônico, que é entreter, interagir, divertir, satisfazer. Ao contrário, hoje temos a repetição de fórmulas que pouco arriscam, assegurando fortes investimentos em visuais, cinemáticas, caráter competitivo (preciso de outra matéria para entrar nesse âmbito)… que praticamente todos esqueceram ou subverteram a natureza de um entretenimento eletrônico.

Xbox One X e PS4 Pro. Consoles de meio de geração serão um padrão a partir de agora?

Na contra mão disso apareceu a Nintendo, que nem sempre foi assim. Na verdade ela é bem mais antiga que os videogames, entrou no ramo revolucionando, depois fez parte da corrida tecnológica e voltou à sua raíz após duas duras derrotas, a primeira com o maravilhoso Nintendo 64 e a segunda, ainda mais dura, com o prodígio Game Cube.

Essa essência foi iniciada na sua transição dos brinquedos convencionais para produtos eletrônicos, liderada pelo gênio Gunpei Yokoi, que mereceu um vídeo especial no nosso canal no YouTube, que pode ser conferido abaixo.

Para o vídeo no site

Gunpei Yokoi pregava o uso de tecnologias existentes de novas formas, não dependendo de um salto tecnológico para novas experiências, usando o mesmo para fazer diferente. Uma visão totalmente voltada ao criativo. Assim nasceu o Game & Watch, usando os mesmos materiais de uma calculadora para rodar joguinhos portáteis, que evoluiu naturalmente para o clássico Game Boy. E do conceito do Game & Watch é que Yokoi inventou o famoso direcional digital, afinal como fazer aquelas alavancas e manches caberem num sistema são minúsculo?

Game & Watch e seu inédito direcional digital.

Ainda nos anos 80, foi o grande mentor de Shigeru Miyamoto, liderando projetos que estabeleceram todas os alicerces para a Big N ser “A” Big N. Sempre sob os olhos do lendário Hiroshi Yamauchi, o presidente da empresa na época que teve olhar clínico para identificar o potencial de Yokoi. E a filosofia da criatividade e inovação estava estabelecida a partir dali até a atualidade.

Dessa dupla recebemos Donkey Kong, contrariando os arcades de naves alienígenas que infestavam o mundo naquela época e Mario Bros logo em seguida.

Gunpei Yokoi (à esquerda) e Shigeru Miyamoto (à direita). Mestre e aprendiz que inventaram a Nintendo dos videogames.

Foi assim que os videogames foram salvos pela Nintendo nos anos 80, com o lançamento do velho NES e uma aventura muito singular e apaixonante: Super Mario Bros. Novas políticas comerciais e ajustes para evitar os caminhos que haviam destruído a Atari foram tomados para garantir um novo mercado sustentável.

Botões de ombro do controle do SNES e a própria disposição de quatro botões do lado direito são estruturas que, apesar de até a própria Nintendo ter tentado mudar durante o tempo, são a base de qualquer controle de jogos, o padrão.

Switch, PlayStation 4, Xbox One e controles mobile. Todos seguem o padrão criado pela Nintendo no SNES.

E aliás, essa disposição em mudar foi o que a diferenciou com o passar das décadas, mesmo quando resolvia adotar ideias já fracassadas, a exemplo do analógico no Nintendo 64. O dispositivo já havia sido condenado não muito tempo antes, mas foi nele que a empresa viu a solução da mobilidade em 3 dimensões, apresentada com maestria junto do lançamento de Super Mario 64.  A implementação do “Z Trigger”, também no N64, originou os atuais gatilhos encontrados nos PlayStations e Xboxes. Sem falar no Rumble Pak, que também levou todos a um novo padrão.

Pode parecer esquisitão (e é), mas o controle do Nintendo 64 provavelmente foi o que mais colaborou com a evolução dos controles nos jogos eletrônicos.

Nintendo DS, 3DS, Wii e seus controles por movimento e até o Wii U, um pai do Switch, representam a disposição da empresa em arriscar e inovar, mostrando novos caminhos para todo o mercado cada vez que se encontra num beco quase sem saída.

E é nesse momento de tanta discussão sobre poder, performance, resoluções, framerates, realidades virtuais, aumentadas e corrida tecnológicas que a Big N apresenta um novo “periférico” para seu hardware. Pedaços de papelão.

Pode soar pejorativo, mas é nessa simplicidade que está a genialidade. Aliar um material tão acessível, flexível, caseiro a uma tecnologia como o Nintendo Switch para promover novas formas de interação e novos graus de entretenimento é o verdadeiro “pensar fora da caixa”.

Independente de gostar ou não da ideia, de valer ou não o investimento. O mérito aqui está na atitude criativa que, se levada a sério, abre muitas novas possibilidades para toda a indústria. Novas possibilidades que não seja a corrida por performance e resoluções, invariavelmente limitada por tecnologia e custos.

A Nintendo, mais uma vez, seguindo o mestre GUNPEI YOKOI, não depende de novas tecnologias para gerar diversão, mas maneiras inovadoras de usar as existentes.

 

Fonte: Playbit Blog

gunpei yokoi, Nintendo, Nintendo 64, Nintendo Labo, Nintendo Switch, Playbit, Super Nintendo,